28 de set. de 2012

Expectativas


Eu não entendo essa insegurança que sempre me abate. Não importa o que eu faça, nunca consigo me sentir boa o bastante. Seja como filha ou como estudante ou como amiga ou como namorada; eu nunca sinto que cumpri as expectativas que as pessoas tinham de mim. Eu na verdade nunca cumpri minhas próprias expectativas em nada. Sempre acho que estou fazendo algo medíocre ou não estou me esforçando o suficiente. Eu queria ser a melhor, me destacar; mas tudo o que consigo é ser apenas mais uma na multidão. Mais uma pessoa comum e sem nada a acrescentar.
Eu queria poder fazer tantas coisas. Não apenas fazer, mas fazer realmente bem. Porém nunca me destaquei em nada, nem nas coisas que mais amo. Quando era criança sonhava em ser escritora e atriz (e acho que esses sonhos não morreram totalmente ainda), mas nunca consegui ser boa em nenhum dos dois. Era uma atriz mediana e uma escritora deplorável. Desde a minha adolescência melhorei um pouco como escritora e nunca mais atuei, mas nunca fiz algo realmente bom. E assim eu acabei não cumprindo mais uma expectativa minha.
Talvez eu não tenha nascido para fazer nada de notável. Talvez meu destino seja ser apenas uma figurante no sucesso de alguém. Talvez eu simplesmente me cobre demais, ou sonhe alto demais. Provavelmente nunca saberei, mas sempre tentarei me superar. E muitas vezes vou me decepcionar comigo mesma de novo. Esse é um dos problemas de ser perfeccionista quando não se é perfeito.

25 de set. de 2012

Presa


Estou aqui nesse quarto escuro mais uma vez. Já perdi as contas de quantas vezes terminei presa aqui. Sempre deixada sozinha no escuro, tendo por única compainha a lembrança dos meus erros.
Você pensa que depois de um tempo já teria aprendido a lição, que não acabaria mais trancada aqui. Talvez até tenha aprendido, mas sempre cometo outros erros novos em folha. E o que acontece depois disso? Acabo presa no quarto dos meus remorsos novamente.
Cada vez parece que fica mais difícil sair daqui. É como se já viesse tanto aqui que ele virou uma parte do meu ser. Tenho medo que um dia eu acorde e a porta que leva para fora dele tenha sumido. Podem me chamar de covarde, mas não quero passar o resto dos meus dias encarando meus arrependimentos. Eu queria aprender a ser livre, a deixar o passado para trás. Porém, as vezes ele é pesado demais para ser empurrado para longe.
Mas talvez, só talvez, essa seja a minha chance de finalmente acertar. Acertar e deixar tudo para trás, me tornar uma pessoa livre.
Então agora vou abrir a porta novamente, sair para a luz e tentar respirar em paz.