9 de nov. de 2012

Sufocada


Ontem vi uma foto de um livro que dizia o seguinte:
- Morreu de que?
- Se sufocou com as palavras que nunca disse.
E eu cheguei a conclusão de que é assim que vou morrer. Sufocada por tudo que sempre quis dizer, mas nunca tive coragem o bastante. Tem tantas coisas que gostaria de dizer a várias pessoas, pessoas que amo, pessoas que odeio, até a pessoas que nem conheço realmente.
Já perdi a conta das vezes em que decidir dizer o que pensava a alguém, mas na hora H voltei atrás por medo. Medo de me machucar, medo de machucar os outros, medo de deixar que me conhecessem, medo de me mostrar. Mas principalmente medo de não ser aceita como sou.
Acho que nunca vou dizer tudo o que quero, pois tenho muito medo de machucar aqueles que amo e mais medo ainda de não ser aceita por eles. Quem me dera ter coragem para um dia falar tudo, acabar com as farsas e encenações. Mas enquanto isso não acontece vou continuar tentando não sufocar totalmente.

4 de nov. de 2012

Escolhas


Eu me sinto presa, sem saber que caminho seguir. É como se estivesse num momento crucial na minha vida, mas não conseguisse enxergar para onde estou indo. Tudo é um emaranhado de escolhas que podem conduzir a vários destinos diferentes.
Sei que se escolher errado tudo pelo que lutei até hoje pode desmoronar. Mas não há como distinguir o certo do errado. Tudo é tão confuso, é como se estivesse numa grande zona de cinza. Onde tudo pode ser certo e errado ao mesmo tempo.
Nenhuma escolha vem sem punição e recompensa. É como está presa em areia movediça, qualquer movimento fará com que você afunde mais, mas também pode lhe salvar. Só que não há nenhuma corda por perto, nenhum modo de escapar impune.

28 de out. de 2012

Algo


As pessoas querem que você aja como adulta, mas na hora que devem lhe tratar como tal nunca o fazem. Parece que só devo ser adulta na horas das minhas obrigações, na hora em que precisam que eu faça algo. Mas quando eu quero fazer algo volto a ser criança nos olhos deles, não tenho a liberdade de tomar minhas próprias escolhas. E isso me irrita de forma como poucas coisas conseguem. É como se eu não fosse capaz de decidir o que deve fazer da minha vida e o que é melhor para mim.
Nunca me deixam tentar e cometer meus próprios erros. Como é que vou aprender a lidar com derrotas se não me deixam quebrar a cara nem uma vez? E se eu faço é como se cometesse um pecado capital pelo qual nunca conseguirei absolvição e não um simples erro que serviu para me ensinar uma lição. Não sei como eles esperam que eu consiga sobreviver sozinha no futuro se não posso nem ao menos sair à noite sozinha.
Eu quero ser independente e o mundo exige que eu seja independente, mas não me dão independência. Me tratam como se eu fosse frágil demais para resistir sozinha por muito tempo. Como se eu não fosse capaz de ver onde o perigo se esconde, como se eu fosse imatura demais para jugar as coisas direito. Eles pensam que estão me protegendo assim, mas na verdade só estão me prejudicando. Me impedem que aprenda sozinha, me tornam dependente de algo que não terei para sempre.

Querer


Se você não luta até as suas últimas forças pelo que quer é porque nunca quis aquilo de verdade.” Eu não sei onde ouvi essa frase (foi provavelmente em algum seriado ou filme), mas ela me veio a cabeça a duas noites atrás antes de dormir. E ela retrata uma verdade. Várias vezes falei que queria algo, mas desisti no meio do caminha às vezes por medo, às vezes por preguiça. Porém todas as vezes que desisti de algo foi porque realmente não queria aquilo. Por mais que eu falasse que queria ir a X local eu não me empenhava o suficiente para conseguir chegar lá porque não tentei o suficiente. Tenho várias metas que deixei pelo caminho porque não queria elas o bastante para me arriscar a cumpri-las e outras que eu arquivei para terminar depois que conseguisse atingir as que eu realmente queria.
Desde adolescente que digo que meu sonho é aprender a tocar bateria, mas eu nunca tive uma aula sequer ou juntei dinheiro para comprar uma bateria. Porém passei semanas almoçando barrinhas de cereal para poder juntar dinheiro e comprar algum livro ou DVD que eu queria. Basicamente, tocar bateria para mim é um sonho e não uma prioridade. Eu poderia passar a minha vida toda sem aprender a tocar, mas não conseguiria ficar sem comprar o livro Harry Potter – Das Páginas para a Tela ou A Evolução da Indumentária.
Por isso eu acho que em algum ponto da vida devemos parar e descobrir o que realmente queremos e parar de correr atrás de coisas que não nos trarão realização de verdade. Ando pensando muito nisso ultimamente, tanto sobre o que quero para minha vida pessoal como profissional. Quando comecei na faculdade eu queria abrir meu próprio negócio e entrar para o circuito das grandes semanas de moda, hoje em dia o que eu realmente quero é ser figurinista; criar deslumbrantes figurinos de época, armaduras ornamentadas, até mesmo armas estilizadas para produções épicas. Mas além disso eu quero fazer a diferença, quero fazer algo que as pessoas lembrem e vejam que foi algo benéfico, seja no campo acadêmico ou no mercado de trabalho.
Quanto a minha vida pessoal eu não tenho metas estabelecidas ainda pois boa parte delas não dependem só de mim. Mas sei o que eu mais quero e que deveria ser a prioridade de todas as pessoas: ser feliz e fazer as pessoas que eu amo felizes. E isso me lembra dessa tirinha do Peanuts:


4 de out. de 2012

Vazio


É um vazio que não consigo descrever
E nem entender.
Ele me consome cada vez mais
E não sei o que fazer para deixa-lo para trás.
Ele vem do nada
E me pega desarmada.
Vai chegando devagar
E tira tudo do seu lugar.
Me deixa sem ar,
Sem lar,
Sem sonhar.
Queria saber o que faço para ele ir embora
E me deixar ver o sol lá fora.

2 de out. de 2012

Sonhos


As pessoas dizem que se você seguir os seus sonhos vai conseguir realizar todos eles. Mas elas nunca dizem o que acontece quando um sonho morre, quando tudo aquilo que você tinha planejado se esvai como névoa. Elas nunca falam quão perdido você vai ficar, de como seus pés vão parecer nunca encontrar o chão. De como todo o seu trabalho vai parecer um esforço inútil para alcançar o horizonte.
Alguns vão dizer que as pessoas nunca contam como é ver um sonho morrer para não desestimular aqueles que estão começando a sonhar agora. Mas eu acho que elas não falam disso porque ninguém gosta de lembrar dos sonhos que perdeu e dos que matou. Ninguém quer admitir que não conseguiu realizar seus sonhos, eles se acham perdedores por ter falhado no meio do caminho.
Mas o que será que as pessoas fazem para conseguir continuar seguindo em frente depois de ter suas esperanças para o futuro desfeitas? Muitas param de viver e passam a apenas sobreviver. Elas simplesmente existem, mas não tem mais motivação nenhuma na vida. Porém existem aquelas pessoas que são verdadeiros sobreviventes, que são mais fortes que a desilusão. Essas pessoas não se deixam abater. Elas levantam do chão, sacodem a poeira e constroem novos sonhos das ruínas dos antigos. Elas passam a correr atrás dos novos sem medo de se machucar novamente, arriscam tudo pelo que acreditam. E essas são aquelas pessoas que costumamos chamar de vencedores.
E você, que tipo de pessoa é?

28 de set. de 2012

Expectativas


Eu não entendo essa insegurança que sempre me abate. Não importa o que eu faça, nunca consigo me sentir boa o bastante. Seja como filha ou como estudante ou como amiga ou como namorada; eu nunca sinto que cumpri as expectativas que as pessoas tinham de mim. Eu na verdade nunca cumpri minhas próprias expectativas em nada. Sempre acho que estou fazendo algo medíocre ou não estou me esforçando o suficiente. Eu queria ser a melhor, me destacar; mas tudo o que consigo é ser apenas mais uma na multidão. Mais uma pessoa comum e sem nada a acrescentar.
Eu queria poder fazer tantas coisas. Não apenas fazer, mas fazer realmente bem. Porém nunca me destaquei em nada, nem nas coisas que mais amo. Quando era criança sonhava em ser escritora e atriz (e acho que esses sonhos não morreram totalmente ainda), mas nunca consegui ser boa em nenhum dos dois. Era uma atriz mediana e uma escritora deplorável. Desde a minha adolescência melhorei um pouco como escritora e nunca mais atuei, mas nunca fiz algo realmente bom. E assim eu acabei não cumprindo mais uma expectativa minha.
Talvez eu não tenha nascido para fazer nada de notável. Talvez meu destino seja ser apenas uma figurante no sucesso de alguém. Talvez eu simplesmente me cobre demais, ou sonhe alto demais. Provavelmente nunca saberei, mas sempre tentarei me superar. E muitas vezes vou me decepcionar comigo mesma de novo. Esse é um dos problemas de ser perfeccionista quando não se é perfeito.

25 de set. de 2012

Presa


Estou aqui nesse quarto escuro mais uma vez. Já perdi as contas de quantas vezes terminei presa aqui. Sempre deixada sozinha no escuro, tendo por única compainha a lembrança dos meus erros.
Você pensa que depois de um tempo já teria aprendido a lição, que não acabaria mais trancada aqui. Talvez até tenha aprendido, mas sempre cometo outros erros novos em folha. E o que acontece depois disso? Acabo presa no quarto dos meus remorsos novamente.
Cada vez parece que fica mais difícil sair daqui. É como se já viesse tanto aqui que ele virou uma parte do meu ser. Tenho medo que um dia eu acorde e a porta que leva para fora dele tenha sumido. Podem me chamar de covarde, mas não quero passar o resto dos meus dias encarando meus arrependimentos. Eu queria aprender a ser livre, a deixar o passado para trás. Porém, as vezes ele é pesado demais para ser empurrado para longe.
Mas talvez, só talvez, essa seja a minha chance de finalmente acertar. Acertar e deixar tudo para trás, me tornar uma pessoa livre.
Então agora vou abrir a porta novamente, sair para a luz e tentar respirar em paz.

11 de ago. de 2012

Saudade


É uma faca dentro do seu coração
Que com o passar do tempo vai entrando mais
E mais fundo...
Perfurando tudo o que encontra...
Destruindo as lembranças
Já gastas de tanto lembrar...
Trazendo lágrimas a face...
Molhando com o pranto o travesseiro
Amigo fiel de tantas dores...

25 de jul. de 2012

Close your eyes


In places that nobody will find
I hide my memories to protect
To keep you next to me

Close your eyes
And remember our moments together
I will defend you for all eternity
No matter where you are

I don’t want to hurt you
But I need to go away
I wanted to hold and confort you
But now everything change

Close your eyes
And remember our moments together
I will defend you for all eternity
Doesn’t matter where you are

You need to grow up
Make your way on the rocks
And for this you don't need me
Because I'm not the best for you

So go and turn a better person
I always thinking abaut you
And dosen't matter how many years
Pass I ever protect you
So...

Close your eyes
And remember our moments together
I will defend you for all eternity
Doesn’t matter where you are


PS: Esse post não é de um conto e nem um poema. Essa é a letra de uma música que comecei a fazer a muito tempo, mas que só consegui terminar recentemente. Ela é a primeira letra que faço sozinha e ainda não tem melódia.
A história por trás da letra é baseada nos últimos episódios da terceira temporada de Buffy- A Caça-Vampiros. No final dessa temporada Angel, o namorado vampiro de Buffy, resolve terminar com ela e partir da cidade pois acha que é o melhor para ela. Essa música seria o tipo de coisa que Angel diria a Buffy se pudesse.
Eu escolhi escreve-la em inglês porque é a língua original da série e não conseguia pensar em outra possível língua para ela. 

24 de jul. de 2012

O Voo do Corvo - Capítulo 1

Toda história começa pelo início, mas essa irá começar pelo meio. A causa desse fenômeno é simples, quero poupar vocês, leitores, de verem como nossa heroína pode ser incrivelmente comum e sem atrativos quando criança. Por isso vou contar-lhes só o que aconteceu no fim de sua juventude, ou o que muitos podem chamar de sua “Passagem para a vida adulta”. Bem esses fatos que vocês leram agora aconteceram a muitos anos, quando essa que vós fala ainda nem havia nascido.

Era o ano de 1890 da Segunda Era dos Valungs, o mundo estava em paz a vinte anos e todos viviam bem no pequeno vilarejo de Vurna. Vurna era um lugar privilegiado, diziam seus moradores. Era cercado pela grande floresta de Zefros pelo lado norte e ligada até o mar pelo lado leste, enquanto do seu lado sul corria o rio Limos (o maior daquela região) e ao oeste ficavam os planaltos de Hamug. Apesar de pequeno Vurna tinha uma economia sólida, tudo isso graças ao clima favorável a plantação de vários alimentos e da criação de gado.
Foi nesse lugar que cresceu Eliza, única filha do ferreiro, Sir Gunter. Eles chegaram em Vurna quando a última guerra contra os invasores de além mar tinha acabado. Eliza era ainda um bebê e Sir Gunter tinha acabado de ficar víuvo. Ele era um cavaleiro do reino que havia lutado em várias das batalhas, mas deixou tudo para trás após a morte da esposa. Resolveu trabalhar como ferreiro no pequeno vilarejo e deixar a espada de lado. Pois assim poderia cuidar da sua filha em paz, longe de tudo que tinha conhecido um dia.
Sir Gunter era um homem grande, tanto em altura quanto em largura. Ele era constituido como deviam ser os guerreiros, parecendo um grande carvalho. O fato de ter um cabelo vermelho escuro só aumentava sua distinção dos outros homens do vilarejo, todos pequenos e loiros. Sua filha porém, era mais diferente ainda das pessoas de Vurna.
Desde muito pequena Eliza foi considerada a moça mais bonita da região, mesmo não se esforçando para isso. Na verdade bem poderia se dizer que ela fazia o possível para perder esse título. Pequena, mas não muito magra, ela tinha o cabelo da cor das asas do corvo. Ele era tão preto, que chegava a mostrar alguns brilhos azulados na luz do sol. Seus olhos eram verdes como as folhas da videira, e tão intensos que era possível se perder neles.
Desde cedo aprendeu com seu pai a esgrimir uma espada, atirar com arco e flecha, caçar e a trabalhar o metal com a delicadeza de quem cuida das flores de um jardim. Sir Gunter costumava dizer a quem perguntasse qual a utilidade de ensinar ofícios de homem a uma moça, “que nunca se sabe quando o destino vai bater na sua porta, mas é sempre bom estar preparado”.
Nossa história começa de verdade no exato momento em que o destino de Eliza resolve bater na sua porta.

Faltava um mês para o solstício de verão, mas todos já estavam trabalhando nos preparativos para a festa. Os jovens ajudavam a caçar e separar lenha para as fogueiras, as crianças praparavam enfeites para as casas, as mulheres começavam a decidir que delícias preparar para o banquete e os homens começaram as colheitas. Por isso quase ninguém notou quando um estranho chegou no começo da tarde em Vurna. Não era incomum viajantes pararem no vilarejo para descansar ou comprar provisões, mas esse homem era diferente de todos os que já tinham passado por lá.
Suas roupas eram o que mais chamavam a atenção. Pois ele se vestia como um homem comum, porém os tecidos usados na confecção delas eram muito distintos. E elas em nada combinavam com o porte imponente dele, parecia um guerreiro da corte que tentou se disfarçar de granjeiro. Outro fator que o diferenciava dos demais era seus cabelo longo, chegando até depois dos ombros, preto raiado de prata. Ele usava duas tranças, uma em cada têmpora. Que lhe davam um ar perigoso.
Ele chegou a pé e se encaminhou diretamente para a ferraria de Sir Gunter. Lá chegando só viu um pequeno jovem usando roupas já bem gastas e um chápeu trabalhando na forja. Apesar da constituição franzina, o garoto demonstrava ter bastante força pelo modo como batia o metal para molda-lo. Por causa do barulho o menino demorou a perceber a chegada do desconhecido e isso deu tempo para ele avaliar todo o local.
O estranho percebeu que eles estavam sozinhos, nem Sir Gunter nem sua filha estavam por perto. Ele não gostou disso pois tinha pressa em encontra-los. Derrepente o jovem se virou para colocar o pedaço de metal que estava trabalhando dentro de um barril de água, mas parrou ao se deparar com o viajante.
-         Quem é o senhor? E o que procura aqui? – Perguntou o moço se recuperando rápido do susto.
-         Quem eu sou e porque estou aqui não é seu assunto rapaz. Quero falar com o guerreiro Sir Gunter e sua filha, leve-me a eles agora. – O estranho falava com arrogância de quem era acostumado a mandar e nunca ser desobedecido. Mas ele quase não conseguiu esconder em sua voz o espanto pelo garoto não ser tão jovem quanto ele pensava. O menino devia estar no fim da adolescência e não no ínicio como tinha achado antes. Mas era difícil ter certeza pois toda a sua face estava coberta de fuligem.
O aprendiz levantou o nariz e olhou para ele com tanto desdem como teria feito qualquer membro da corte ao olhar um vagabundo. Isso desconcertou o viajante que estava acostumado a amedrontar as pessoas com sua estatura.
-         Pois saiba senhor, que o Sir está fora visitando um cliente e sem o consentimento dele o senhor não tem permição de falar com a senhorita. Se for algum serviço da ferraria que o senhor procura estarei feliz em ajudar, mas se seu assunto é exclusivo com o Sir aconselho que volte mais tarde. A Taberna do Velho Urso está com quartos vagos se o senhor tiver interesse em descançar um pouco, ela não fica muito longe daqui. – O garoto foi educado, mas cada vez que ele falava a palavra senhor o sarcasmo gotejava de sua boca.
-         Meu assunto é exclusivo com Sir Gunter e sua filha e de nada diz respeito a mais ninguém. Se ele não está ensisto em falar com Milady, pos é um assunto de máxima urgência. Não posso esperar até que o pai dela volte. – Respondeu o viajante com mais arrogância ainda para mascarar sua surpresa diante da atitude do jovem.
-         O senhor não tem permição para falar com a senhorita e sei que ela não o conhece, por isso não posso deixa-lo entrar. Então devo pedir que se retire e espere o retorno do Sir.
Com isso o jovem se virou para voltar ao serviço dispensando o forasteiro. Aquela foi a gota d’água para ele, pois nunca fora tão destradado antes. Em duas passadas ele se aproximou do aprendiz e agarrou o braço dele para o virar.
-         Esculte aqui garoto, ninguém fala comigo desse jeito... – Ele não pode terminar a frase pois o moço lhe deu uma bela cutuvelada no estômago e aproveitou que foi solto para dar com uma barra de ferro na cabeça do desconhecido que desmaiou na mesma hora.

Eliza estava no seu quarto terminando de pentiar os cabelos quando um gemido a avisou que seu visitante misterioso tinha acordado. “Finalmente” pensou ela, como já fazia mais de uma hora que ele estava desacordado ela estava começando a pensar que exagerou na pancada que lhe deu.
Ela arrumou melhor seu traje, se armou de coragem e com um suspiro de resignação se dirigiu para a sala. O comodo era limpo e amplo, estava iluminado apenas por uma lareira que dava uma aparência diferente ao rosto do estranho. O deixava mais jovem e menos intimidador.
Ele ainda estava de olhos fechados, mas tinha a aparência de quem acordaria logo. Aproveitando a pequena vantagem Eliza pegou uma cadeira e a colocou de frente para a cadeira na qual tinha amarrado o intruso. Virando a cadeira ela se sentou escarranchada, do mesmo modo que seu pai quando ia lhe dar uma bronca. Por segurança ela tinha pego sua espada, que agora se achava na bainha presa ao cinto de suas calças. Pouco depois dela ter se sentado o forasteiro levantou o rosto e abriu os olhos.
-         Você é uma garota! – ele exclamou completamente espantado. – Solte-me agora mesmo moça, pois se não quando seu patrão chegar você enfrentará as consequências!
-         Primeiro é grosseiro, depois afirma o óbvio e agora me ameaça! Você não tem amor pela sua vida mesmo não é? – Respondeu Eliza totalmente ultrajada. – Se parasse para pensar um pouco veria que sua ameça é completamente sem fundamentos. Primeiro porque meu pai nunca deixaria você agradir nenhum de seus funcionários, segundo porque você até agora só teve o que merece e...
-         VOCÊ É LADY ELIZA!?! – o prisioneiro gritou e se impulsionou de modo que quase caiu de cara no chão, mas conseguiu recuperar o equilíbrio. – Mas como pode, uma dama como você ser tão mal-educada e ainda por cima se vestir como homem! Exijo que me liberte milady.
-         Agora começou a me ofender. Estou pensando seriamente em lhe amordaçar e deixa-lo aí até meu pai chegar. Ele lhe dará o castigo que você merece por me destratar! – Eliza estava tão ofendida como nunca se sentiu na vida. Ela tinha vontade de bater nele só por vingaça, mas controlou seus instintos pois sabia que seu pai não gostaria nada disso. – Me diga logo qual é seus nome forasteiro, antes que lhe coloque uma mordaça.
-         Meu nome milady, é Lord Lachlan. Sou o chefe da guarda de sua majestade, o Rei Dustran dos Elares. E fui enviado aqui para lhe buscar.
-         Elares? Mas eu achei que os elfos tinham desaparecido desse reino a mais de 20 anos, quando a guerra acabou. Todos pensam que eles foram desimados pelos invasores. E se você é guarda do rei, quer dizer que também é um elfo? E o que diabos você quis dizer com me buscar?
Eliza estava completamente desnorteada pela informação. Ninguém tinha ouvido falar dos Elares em duas décadas e derrepente um aparece em sua casa dizendo que veio busca-la. Ela estava tentando descobrir o que o rei dos elfos iria querer com ela, mas não conseguia pensar em nenhuma resposta.
Lachlan encarou a garota tentando pensar num modo suave de dar a notícia de por que tinha ido procura-la. Porque apesar de ter os modos de um moço criado numa taverna ela ainda era de linhagem nobre e por isso merecia respeito.
-         Sim, eu sou um elfo Milady. E nossa raça nunca pereceu na mão dos inimigos. Mas nossa população diminuiu significantemente, e por isso nossos governantes acharam melhor ficarmos escondidos até que tivesse-mos nos recuperado dos estragos da guerra. E o Rei me enviou em sua busca por causa de sua mãe, Lady Aileen...
-         O que minha mãe tem a ver com isso? Ela está morta a 20 anos!
Ouvisse um barulho vindo do corredor que delatava a chegada de Sir Gunter. Lachlan não sabia se era melhor esperar o guerreiro entrar ou se contava logo a verdade a Eliza. Ele sabia que tinham coisas que só o pai dela poderia explicar, mas ele não podia perder tempo convencendo o cavaleiro.
-         Creio que a senhorita nunca foi informada disso pelo seu pai, mas sua mãe não morreu. Ela está viva e gozando de boa saúde até onde tenho conhecimento. Mas a duas luas ela desapareceu, sua avó crê que ela foi raptada...
-         O QUÊ? – gritaram Eliza e Sir Gunter ao mesmo tempo. Ele tinha acabado de entrar na sala quando Lachlan terminou de falar.


Nascimento



A chuva caía forte e constante lá fora, mas não fazia frio. Tudo estava escuro, a única luz no quarto vinha dos postes lá na rua. A janela já estava tão embassada que não dava para distinguir as outras casas, eram apenas manchas cinzas no horizonte.
Na verdade tudo era cinza, esse era um bairro sem cor, sem vida. Por onde se passava só se ouvia o silêncio, lá não existiam risos. Lá não existiam nem cores e nem alegria, e para falar a verdade não exitiam outras crianças também.
Mas como uma criança pode viver num lugar assim, você deve estar se perguntadno. A resposta é simples: ela não vivia, ela apenas existia. Porém ela não sentia falta dessas coisas. Não se pode sentir falta do que não se conhece.
Lá tudo o que ela podia fazer era ficar sentada e ver os dias passarem. Nunca acontecia algo novo, tudo era sempre igual. De manhã, assim que o sol nascia, todos saiam de suas casas. Para onde eles iam ela não sabia, nunca deixavam ela ir. Mas quando caía a noite todos voltavam.
Até um dia em que tudo mudou. Numa manhã de sol chegou uma mulher. Mas ela era diferente de todas as pessoas que a criança conhecia. Ela tinha cor e tinha sorrisos. Seus olhos brilhavam como as estrelas numa noite de verão.
A estranha estendeu a mão para a criança. E apesar de ter um pouco de receio a criança pegou a mão dela. Foi aí que a magica aconteceu. Derrepente a criança também tinha cor e sorrisos. Ela então tomou coragem e perguntou a mulher:
-         Quem é você? – falou a criança com uma voz roupa pela falta de uso.
-         Ah, minha querida, eu me chamo Liberdade. E qual o seu nome?
A criança olhou a mulher com um rosto curioso. Como se não soubesse muito bem do que ela estava falando.
-         Eu não sei, acho que não tenho um. Acho que ninguém aqui tem um nome. – ela respondeu incerta.
-         Então vamos ter que escolher um nome para você não? – a mulher perguntou com um sorriso gentil no rosto. – Tem algum que você gostaria de ter?
-         Não. Eu não conheço nenhum nome. – a criança respondeu envergonhada por sua ignorância.
-         Então deixe-me pensar em algum... Ah, já sei um que é perfeito. O que você acha de se chamar Criatividade?
-         Eu gostei. – disse a criança com o maior sorriso do mundo no rosto.
A mulher sorriu afetuosamente para ela e estendeu a mão de novo. E assim, de mãos dadas, as duas caminharam para longe daquele lugar cinza. Só que agora aquela não era mais uma vizinhança cinza, por onde as duas passavam iam deixando cores e sorrisos pelo caminho.

23 de jul. de 2012

Espera



As pessoas vão passando a minha volta, muitas nem sequer olham para mim. E as que olham não me veem realmente. Mas por que elas prestariam qualquer atenção em mim? Não tenho nada de diferente, só mais uma garota sentada esperando alguem. Realmente não existe motivo para ninguém me olhar.
Mais e mais pessoas passam e eu continuo aqui, olhando a vida ao meu redor. São tantos rostos que não consigo lembrar de nenhum. Não vejo ninguém conhecido. Será que ainda terei que esperar muito? Não aguento mais ver as pessoas ao meu redor e permanecer sozinha.
Não quero mais ser ignorada, tenho vontade de gritar e pedir que alguem olhe para mim. Realmente olhar, notar que eu existo. Mas é claro que não faço isso. Só continuo sentada vendo o mundo passar por mim.
Não sei o que estava pensando quando concordei em vir. Era tão óbvio que ele não queria realmente me encontrar. Deve estar com seus amigos rindo da minha ingenuidade até agora. Eu penso em voltar para casa, mas e se ele só estiver atrasado? Se ficou preso num engarrafamento ou algo do tipo? Vou esperar mais um pouco, talvez ele apareça.
O tempo vai passando e eu continuo aqui sozinha. Já é muito tarde, meus pais devem estar preocupados. Mas porque será que ainda não apareceram me procurando? Será que eles também esqueceram de mim?
Era primavera quando sai de casa, agora já é inverno e em breve será primavera de novo. Mas ninguém veio me procurar e ninguém parece me ver aqui. Mais um dia está chegando ao fim. Eu estou tão cansada de esperar, mas não a nada mais que eu possa fazer. Vou continuar aqui, esperando, até que alguem me veja...

22 de jul. de 2012

Contos de Fada


O que eu  mais desejo no mundo é que contos de fada sejam verdade. Que todas as pessoas boas tenham os seus “Felizes para Sempre”. Mas infelizmente eles não passam de velhas histórias. Nada além da imaginação de algumas pessoas que tentaram ir além do ordinário. Que tentaram ser mais do que todos esperavam delas.
Eu queria ser como elas, escrever meu próprio final feliz. Porém eu tenho um problema, uma espécie de maldição, que talvez elas nunca tiveram: Eu sei que finais felizes não existem. E esse conhecimento é a maior de todas as maldições.
Mas e se? E se todos aqueles que tentaram antes de mim também sofreram essa “maldição”? Acho que todo mundo deve adquirir ela em algum ponto da vida. No exato momento em que se perde a magia da infância, quando se deixa de acreditar as fadas.
Porém todos os autores, todas as pessoas que tiveram a coragem de procurar por fadas, conseguiram quebrar a maldição. Eles não se deixaram intimidar pela realidade. Seguiram seus sonhos, fizeram um pedido a uma estrela e encontraram seus finais felizes.
Eu quero ser como eles. Quero enfrentar meus medos, minhas limitações e recuperar a magica que eu perdi. Então eu acho que devo voltar a acreditar em fadas, voltar a acreditar em mim mesma e lutar. Pois quem sabe assim eu não acabe encontrando meu final feliz, com direito a beijo de amor verdadeiro e tudo.
E se você está lendo isso, saiba então meu caro leitor que eu tive a coragem para mudar e seguir meus sonhos. Enfrentei meus dragões, peguei as rédias do meu destino e estou escrevendo meu final feliz.