Saio de lá e deixo o corpo
sozinho, caído na entrada da igreja. Tento tirar aquele rosto implorando da
minha mente, mas não consigo. Ele se une as outras incontáveis faces que me
assombram todos os dias. Eu não reclamo deles, pois sei que mereço esse
tormento já que fui eu quem deu um fim em suas vidas. Já estou acostumada aos
meus fantasmas (é assim que os chamo), eles são uma espécie de companhia
mórbida que me acalenta quando tenho que sair.
Eu queria poder parar a matança,
poder mudar de vida e recomeçar como uma pessoa normal. Porém não posso, não sou livre para escolher. E Eles não me deixariam escolher. Matar é a minha vida, é o
que sou e o que sempre fui.
Continuo andando, me escondendo
nas sombras da noite. Procurando passar invisível pelas pessoas que ainda
possam estar fora de casa durante a madrugada. E assim vou me afastando da
prova física de que sou um monstro. Se ao menos uma vez eu pudesse dizer não
para Eles, dizer que não vou matar mais ninguém, eu seria feliz. Mas não é
assim que as coisas funcionam. Eu não posso dizer não para Eles. Por mais que
queira tudo que posso falar é “considerem a missão cumprida”.

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